quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Artigos e monografias em torno da escrita do Sudoeste

Durante os últimos 2 anos saíram em torno da escrita do Sudoeste um conjunto de artigos e monografias.

Aqui fica uma relação dos mesmos, esperando que nenhum tenha ficado de fora:

ANTUNES, A. S. (2010): "Testemunhos de literacia na margem esquerda do Baixo Guadiana: os grafitos", in Um conjunto cerâmico da Azougada. Em torno da Idade do Ferro Pós-Orientalizante da margem esquerda do Baixo Guadiana, MNA, Lisboa, p. 429-436.

BARROS, P., MELRO, S. e SANTOS, P. J. (2010): "Projecto ESTELA: primeiros resultados dos trabalhos nas serras de Mú e Caldeirão", Xelb, 10, Silves, p. 115-128.

CORREA, J. A. R. (2009): Reflexiones sobre la lengua de las inscripciones en escritura del sudoeste o tartesia”, Palaeohispanica, 9, Institución "Fernando el Católico" e CEACP, p. 295-307.

CORREIA, V. H. (2009): “A escrita do sudoeste: uma visão retrospectiva e prospectiva”, Palaeohispanica, 9, Institución "Fernando el Católico" e CEACP, p. 309-321.

GOMES, M. V. (2010): “Estela epigrafada, da I Idade do Ferro, da Cerca do Curralão (Almodôvar, Beja), Musa, 3, MAEDS; p. 137-148.

GUERRA, A. (2010): “Ancillary Study: New Discovered Inscriptions from the South-west of the Iberian Peninsula”, in Cunliffe, B. / J. T. Koch, eds.: Celtic from the West. Alternative Perspectives from Archaeology, Genetics, Language and Literature, Oxbow Books and Celtic Studies Publications.

GUERRA, A. (2010): “Algumas observações sobre a escrita do Sudoeste”, Xelb, 10, Silves, p.103-113.

GUERRA, A. (2009): “Novidades no âmbito da epigrafia pré-romana do sudoeste hispânico”, Palaeohispanica, 9, Institución "Fernando el Católico" e CEACP, p. 323-338.

KOCH, J.T (2009): Tartessian: Celtic in the South-west at the Dawn of History, Aberystwyth 2009.

KOCH, J.T. (2009): “A case for Tartessian as Celtic Language”, Palaeohispanica, 9, Institución "Fernando el Católico" e CEACP, p. 339-351.

MELRO, S. e BARROS, P. (2010): Vida e Morte na Idade do Ferro - Catálogo de exposição. Museu da escrita do Sudoeste de Almodôvar.

MELRO, S. e BARROS, P. (2010): “Projecto Estela: um projecto científico de um museu para o território”, Actas do IV Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular, Huelva (2009), p. 450-453.

MELRO, S., BARROS, P., GUERRA, A. e FABIÃO, C. (2009): "O projecto ESTELA: primeiros resultados e perspectivas", Palaeohispanica, 9, Institución "Fernando el Católico" e CEACP, p. 353-359.

MELRO, S., BARROS, P., GUERRA, A. (2009): “Projecto Estela: do museu para o território”, Almadan on-line, 16, p. 10-11.

SANTOS, P. J., MELRO, S. e BARROS, P. (2010): "Projecto ESTELA: o arranque do S.I.SO.", Xelb, 10, Silves, p. 887-897.

VALÉRIO, M. (2008): Origin and development of the Paleohispanic scripts: the orthography and phonology of the Southwestern alphabet, Revista Portuguesa de Arqueologia, 11-2, Lisboa p. 107-138.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mesas do Castelinho em teses de Mestrado


Foi o projecto de investigação e valorização das Mesas do Castelinho, à frente do qual estão Carlos Fabião e Amílcar Guerra (2008), que proporcionou em boa medida a existência do Projecto ESTELA. Dificilmente um e outro podem ser separados, cruzados que estão nas pessoas e nos esforços de investigação levados a cabo ao longo dos mais de 20 anos de aprendizagem e partilhas que tem lugar no concelho de Almodôvar e em particular junto das gentes de Santa Clara-a-Nova.

Por este motivo, fazemos eco de vários trabalhos de investigação científica realizados no âmbito de Mestrado, que serão apresentados em breve na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

João Nuno Marques dos Santos Miguez - As Fíbulas do Sudoeste da Península Ibérica enquanto marcadores étnicos: o caso de Mesas do Castelinho (26/01 – 10h, Sala 8.1)

Catarina Susana Antunes Alves - A cerâmica campaniense de Mesas do Castelinho (26/01 – 15h, Sala 8.1)

Susana Maria Gonçalves Estrela - Os níveis fundacionais da Idade do Ferro de Mesas do Castelinho (Almodôvar): os contextos arqueológicos na (re)construção do povoado (28/01 – 10h, Sala 5.2)


Bibliografia:

FABIÃO, C. e GUERRA, A. (2008) – Mesas do Castelinho (Almodôvar). Um projecto com vinte anos. Al-madan. Revista de Almada: Centro de Arqueologia de Almada. II Série, nº 16, p. 92- 105.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Conferência do Projecto ESTELA no Museo Arqueológico Provincial de Badajoz

Dentro do ciclo de conferências do primeiro semestre de 2011 do Museo Arqueológico Provincial de Badajoz terá lugar no dia 5 de Março, pelas 11h locais, uma conferência do Projecto ESTELA: “A escrita do Sudoeste e a Idade do Ferro no Sul de Portugal”.


Estas conferências são de divulgação, para um público não especializado, sobre diferentes aspectos da história e arqueologia. O Museu tem na sua exposição permanente o maior conjunto de estelas com escrita do Sudoeste em Espanha.

Estela de Capote, Higuera la Real (Badajoz) – Fotografia Vicente Novillo (AAVV, 2005: 37)

Bibliografia:
AAVV (2005) - Catálogo de Estelas Decoradas del Museo Arqueológico Provincial de Badajoz, Consejería de Cultura, Junta de Extremadura

Exposição DA FORMA DA ESCRITA À ESCRITA DA FORMA no Museu Nacional de Arqueologia


No seguimento da divulgação que foi feita, não podemos deixar de nos congratular pela inauguração da Exposição dos trabalhos de alunos do Departamento de Cerâmica da Escola António Arroio, orientados pela professora Elsa Gonçalves: “Da forma da escrita à escrita da forma”. Conforme o blog do MNA, esta estará patente até dia 28 de Fevereiro de 2011.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cerâmica de engobe vermelho com escrita do Sudoeste na National Geographic

Os votos de um Bom Ano Novo não podiam ser melhor acompanhados do que pela publicação no número de Janeiro da edição portuguesa da National Geographic, saída ontem para as bancas, de um fragmento de cerâmica de engobe vermelho com escrita do Sudoeste proveniente de Moura.

Trata-se de um fragmento recolhido num contexto de escavação arqueológica no castelo de Moura, no âmbito de trabalhos de arqueologia preventiva dirigidos pelo arqueólogo José Gonçalo Valente, e inserido num conjunto material e estratigráfico do século IV a.C..

Neste mesmo tipo de suporte em cerâmica, cronologias mais recuadas haviam sido indicadas por um fragmento proveniente do Castillo de Doña Blanca – séc. VIII/VII –, e indiciadas ainda pelos grafemas que encontramos nas peças de Medellín e no Castro da Azougada, com cornologias dos séc. VI e V a.C.. O agora novo fragmento de Moura, não é só extremamente importante pelo contexto arqueológico onde surge com uma cronologia segura que, como refere o professor Amílcar Guerra, prolonga o uso desta escrita, mas também pelo facto de não se tratar de um grafema isolado, ao qual poderíamos questionar tratar-se de literacia efectiva, mas de uma sequência de cinco signos. De acordo com a leitura de Amílcar Guerra, à parte conservada deve ler-se: *nabaor*, podendo provavelmente a primeira letra de que se conserva o pequeno sector ser um a, pelo que teríamos – com a peculiaridade de não haver redundância –: ]anabaor*[.


 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Castro dos Ratinhos e as Cerâmicas da Azougada

Na próxima quarta-feira, dia 15 (pelas 18.30), tem lugar, na Câmara Municipal de Moura, o lançamento daquelas que podemos já referir como duas referências obrigatórias para a proto-história do Sudoeste Peninsular e dignamente editadas pelo Museu Nacional de Arqueologia como suplementos d’O Arqueólogo Português.

Desde logo "O Castro dos Ratinhos (Barragem do Alqueva, Moura). Escavações num povoado proto-histórico do Guadiana, 2004-2007", de Luis Berrocal-Rangel e António Carlos Silva, autores que têm dado importantes contributos à arqueologia peninsular, e em particular à Idade do Ferro.

E por fim, é lançado "Um conjunto cerâmico da Azougada. Em torno da Idade do Ferro Pós-Orientalizante da margem esquerda do Baixo Guadiana", de Ana Sofia Tamissa Antunes.

Não podemos deixar de destacar por um lado, nesta obra, o capítulo de Ana Sofia Antunes – "Testemunhos de literacia na margem esquerda do Baixo Guadiana: os grafitos" (p. 429-436) – abordando os grafitos associados à escrita do Sudoeste nas peças cerâmicas da Azougada. E por outro a colaboração dada ao Projecto ESTELA, nomeadamente com a cedência de conteúdos sobre algumas dessas peças que se encontram na recentemente inaugurada exposição Vida e Morte na Idade do Ferro do MESA em Almodôvar [exposição e inauguração e montagem].


A apresentação dos livros estará a cargo de Carlos Fabião, numa sessão que contará ainda com a presença de Luís Raposo. As publicações são editadas pelo Museu Nacional de Arqueologia e têm o apoio da Câmara Municipal de Moura, da Direcção Regional da Cultura do Alentejo e da EDIA, S.A..

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A nova estela com escrita do Sudoeste, proveniente da Herdade do Monte Gordo (Almodôvar)

Foi apresentada por Amílcar Guerra, Rui Cortes, Pedro Barros e Samuel Melro no V EASP a mais recente descoberta da epigrafia da Escrita do Sudoeste.

O achado registou-se na Herdade do Monte Gordo, freguesia de Rosário (Almodôvar) e vem enriquecer o já rico repertório proveniente deste concelho, localizando-se em plena planície alentejana (entre o conjunto de Ourique e de Neves/ Corvo), fora da área serrana onde tem ocorrido em maior número.

Encontrava-se reaproveitada como umbreira de um Monte junto da estela pré-histórica do Monte Gordo e numa zona onde devem ter aparecido 8 espetos de bronze (Vasconcellos, 1933:235).


De uma forma geral a estela encontra-se bem conservada, mantendo-se em muito bom estado quase todo o seu campo epigráfico. Nele se inscreveu um texto relativamente extenso, que apresenta algumas particularidades interessantes e que constituirá certamente um contributo relevante para o corpus textual associado a esta manifestação escrita. A leitura das duas linhas do texto, de acordo com Amílcar Guerra, correspondem a


O novo achado epigráfico é igualmente exemplo da frutuosa acção do Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar (MESA), que para além de dar a conhecer à comunidade este património que lhe pertence, abrindo o caminho a que as populações estejam mais atentas e reconheçam com mais facilidade os bens arqueológicos que observaram nesta unidade museológicae reconheçam com mais facilidade os bens arqueológicos e lhe dêem o seu, reconhecido, valor patrimonial. Deste modo, não se torna surpreendente que se tenha identificado mais um monumento epigrafado, cujo achador – Sr. José Sousa – de imediato entrou em contacto com este Museu, como alias teve ocasião de relatar em recente emissão da RTP1.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Prospecções no concelho de Loulé



Desde os inícios de Novembro que decorrem os trabalhos do projecto ESTELA (novas prospecções arqueológicas e sistematização da informação arqueológica), no Concelho de Loulé. A área incide nas zonas serranas deste concelho (Ameixial, Salir, Querença, Tôr e Alte) onde as informações até aqui sistematizadas por Caetano de Mello Beirão constatavam já da importância das linhas de água nos limites norte do Algarve e em particular do concelho de Loulé (Beirão, 1986; Correia, 1997).


Estela de Viameiro (Museu de Loulé)


Essa concentração – oposta ao conjunto do Algarve ocidental dado a conhecer por Estácio da Veiga em Bensafrim – contempla por um lado o conjunto na vizinhança de Salir (Barradas, Viameiro e Alagoas), mas é sobretudo assinalado em torno do Ameixial (Azinhal dos Mouros, Vale dos Vermelhos, Portela, Corte Pinheiro) (Barros, Melro e Santos, 2010).

Ao facto não é estranho o empenho de Manuel Gomez de Sosa, espanhol então residente no Ameixial nos anos 50/60 (ainda hoje recordado vivamente por Manolo), verdadeiro responsável pela identificação do conjunto de estelas e sítios do Ameixial, Vermelhos, Tavilhão, Azinhal dos Mouros, entre outras. Este entusiasta deu continuidade ao trabalho de José Rosa Madeira (Franco e Viana, 1955), pioneiro da arqueologia do interior do concelho de Loulé, e que chamara já a atenção para a riqueza arqueológica dessa região serrana e em particular da Ribeira do Vascão.

De igual modo já antes o anotara o achado em 1886 de uma cabrinha de bronze no Vascão (Santa Cruz) dado a conhecer por Leite de Vasconcellos (1895) e que pela primeira vez pode ser vista na nova Exposição do MESA.



Estamos de novo nesse meio mundo entre o Alentejo e o Algarve, desde a Ribeira de Odelouca à Ribeira do Vascão. Na Serra.

Bibliografia:

BEIRÃO, C. de M. (1986) – Une civilization protohistorique du Sud du Portugal (1er Age du Fer), Paris, De Boccard.

CORREIA, V. H. (1997): "As necrópoles algarvias da I Idade do Ferro e a Escrita do Sudoeste". In BARATA, F. (coord.): Noventa séculos entre a serra e o mar. Lisboa: 265-279.

FRANCO, M. L., VIANA, A. (1945) – "O espólio arqueológico de José Rosa Madeira", in Brotéria, Lisboa, 41(5), pp. 386-419.

BARROS, P., MELRO, S. e SANTOS, P. J. (2010) – "Projecto ESTELA: primeiros resultados dos trabalhos nas serras de Mú e Caldeirão", Xelb,10, Silves.

VASCONCELLOS, J. L. de (1895) – "Cabrinhas ou bodes de bronze". O Arqueólogo Português, Lisboa, 1ª série, 11, pp. 296-301.

Vida e Morte na Idade do Ferro - montagem e inauguração





Inaugurou na passada quinta-feira a nova Exposição temporária do Museu da Escrita do Sudoeste de AlmodôvarVida e Morte na Idade do Ferro (video promocional) e que resultou dos trabalhos desenvolvidos pelo Projecto ESTELA, responsáveis pela respectiva produção de conteúdos e do catálogo.



Ficam aqui as palavras de António José Messias do Rosário Sebastião, presidente da CM de Almodôvar, e que abrem o Catálogo da Exposição:

"Depois de aberto ao público em 2007 na vila de Almodôvar, o MESA - Museu da Escrita do Sudoeste, constituiu um marco importante na realidade museológica nacional, tornando-se uma referência cultural, particularmente para a região envolvente em que insere o seu âmbito de estudo, o Alentejo e o Algarve.

Nos dois anos posteriores à inauguração da Exposição Almodôvar território emescrita, o Museu desenvolveu paralelamente a esta, um projecto de investigação arqueológica, intitulado ESTELA, que permitiu aprofundar o conhecimento Histórico sobre as comunidades e sítios habitados pelos nossos antepassados na região de Almodôvar durante a Idade do Ferro há mais de 2500 anos. Este trabalho permitiu-nos avançar desta forma para uma nova nova exposição, que agora se inaugura intitulada Vida e Morte na Idade do Ferro, cientes que muito ainda há para descobrir e clarificar sobre os modos de vida e cultura do povo que criou e utilizou a escrita do Sudoeste, esta nova exposição visa alcançar um dos objectivos fundamentais do MESA, trazer ao grande público os resultados da investigação cientifica promovida pela autarquia de Almodôvar através do seu Museu.

Convicto de que desta forma o Museu está a responder aos desafios para que foi criado, é importante salientar o contributo, que estamos a dar para a evolução do conhecimento arqueológico e histórico deste território a que hoje chamamos Portugal.
"














(foto: João Paulo Ruas)









A inauguração da exposição contou com a presença de cerca de 150 pessoas (entre participantes do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular e almodovarenses) guiados pelo Projecto ESTELA numa visita explicativa.


(foto: CMA)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vida e Morte na Idade do Ferro



Resultado dos trabalhos desenvolvidos pelo Projecto ESTELA entre 2008 e 2010 é inaugurada na próxima Quinta-Feira, dia 18 de Novembro, ao final do primeiro dia do V EASP, a Exposição Temporária no Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar (MESA): "Vida e Morte na Idade do Ferro".

A todos/as fica aqui o nosso convite!

V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular: programa



aqui anteriormente noticiámos a participação do Projecto ESTELA no V Encontro de Arqueologia do Sudoeste, em Almodôvar entre os dias 18 e 20 de Novembro, que conta com a apresentação de duas comunicações e um poster, conforme Resumos:


Projecto Estela: O Território da Escrita do Sudoeste e a Idade do Ferro na actual região de Almodôvar.
(Samuel Melro e Pedro Barros) [comunicação]

Resumo:

Desde 2008 que o Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar (MESA), promove o desenvolvimento do Projecto Estela: Sistematização da Informação das Estelas com Escrita do Sudoeste, reflectindo a preocupação por parte da Câmara Municipal de Almodôvar em valorizar um património arqueológico, do qual o concelho é, de certa forma, o epicentro. Através da caracterização dos contextos arqueológicos (apoiada em reconhecimentos no terreno, no estudo de colecções e na documentação de museus) coligiram-se dados para a revisão dos conhecimentos sobre uma sociedade que produziu esses monumentos.

A sistematização de toda esta informação, permite tentar compreender as directas relações entre espaço habitacional, o mundo funerário e as inscrições. Possibilita ainda reflectir sobre o problema chave da ausência de contextos seguros da proveniência das estelas, facto que tem impossibilitado de responder de forma clara e definitiva à pergunta quando foram feitas e onde estavam estas efectivamente colocadas.

Resulta assim que, a par da discussão dos modelos explicativos da usualmente chamada I Idade do Ferro, é ainda objecto de debate o problema da sua cronologia perspectivado a dois níveis em evidente desequilíbrio: a componente epigráfica e linguística e a componente arqueológica. Uma vez constatado o reiterado cariz de reutilizações tardias, isto é da relação secundária das estelas com as necrópoles, verifica-se um desencontro temporal entre a cultura material conhecida no registo arqueológico, essencialmente a partir do século VI a.C., e uma cronologia linguística mais recuada atribuída à Escrita do Sudoeste.

Pretende-se apresentar o balanço e resultados do Projecto Estela, contribuir para o conhecimento das principais problemáticas em torno deste tema e fornecer mais dados para a explicação desta importante manifestação cultural.


Notícia preliminar de uma nova estela com escrita do Sudoeste, proveniente da Herdade do Monte Gordo (Almodôvar).
(Amílcar Guerra, Rui Cortes, Pedro Barros, Samuel Melro) [comunicação]

Resumo:

A abertura, ainda relativamente recente, do Museu da Escrita do Sudoeste, em Almodôvar, para além de dar a conhecer à comunidade o património que lhe pertence, abre caminho a que as populações estejam mais atentas e reconheçam com mais facilidade os bens arqueológicos que observaram nesta unidade museológica, avaliando melhor o seu valor patrimonial. Deste modo, não se torna surpreendente que se tenha identificado mais um monumento epigrafado, do qual que se dá agora uma descrição sumária. O achado registou-se na Herdade do Monte Gordo, freguesia de Rosário (Almodôvar) e vem enriquecer o já rico repertório proveniente deste concelho. De uma forma geral a estela encontra-se bem conservada, mantendo-se em muito bom estado quase todo o seu campo epigráfico. Nele se inscreveu um texto relativamente extenso, que apresenta algumas particularidades interessantes e que constituirá certamente um contributo relevante para o corpus textual associado a esta manifestação escrita.

Apontamentos da Pré-história no concelho de Almodôvar.
(Artur Rocha, Samuel Melro, Pedro Barros, Rui Cortes) [poster]

Resumo:

Os trabalhos de prospecção desenvolvidos na década de 90 por Rui Cortes no âmbito da Carta Arqueológica do Concelho de Almodôvar e mais recentemente no âmbito do Projecto Estela contribuíram para identificar e sistematizar um conjunto de vestígios da Pré-História deste concelho.

Apesar de se encontrarem insuficientemente conhecidos, e do seu deteriorado grau de conservação, os sítios identificados caracterizam-se essencialmente por serem monumentos funerários. Algumas das suas características, permitem considerações comparativas entre os conjuntos megalíticos contíguos, nomeadamente os do Alto Sado e Alto Mira, mas com imediato particularismo como uma manifestação serrana, os situados no sotavento algarvio, nomeadamente do Alto Algarve Oriental e eventualmente uma associação com os monumentos do Barlavento algarvio.

Destaca-se assim o conjunto de tholoi do Canafixal e um conjunto diversificado de monumentos megalíticos piriformes, que terão continuidade e associações na arquitectura tumular ao longo da proto-história e que marcam a paisagem da Serra do Caldeirão.




Para além desta participação dos membros do Projecto estão previstas outras comunicações associadas a trabalhos desenvolvidos em Almodôvar (ver programa). Informações/Inscrições através do site da Câmara Municipal de Almodôvar.