domingo, 1 de julho de 2012

Campanha de escavação na Portela da Arca (Almodôvar)

No âmbito da continuação do Projecto Estela, um dos trabalhos planeados para o Verão de 2012 é a intervenção na Portela da Arca, no concelho de Almodôvar.


Os trabalhos arqueológicos propostos têm por objetivo aferir as observações induzidas pela prospeção e o recolher informação arqueológica que permite contribuir para o conhecimento da Idade do Ferro nesta área central do fenómeno da escrita do Sudoeste.

O sítio da Portela da Arca, descoberto em 2009, foi selecionado por se destacar como um dos poucos locais que se poderia interpretar como um contexto de eventual povoado. Inserido no conjunto de sítios do planalto dos Montes das Antas, junto da linha de festo entre o rio Mira e a Ribeira de Ferranhas, localiza-se entre as necrópoles da Idade do Ferro de Mouriços/ Antas de Cima (escavada no início dos anos 70 do século XX) e a necrópole da Abóbada (intervencionada entre 2010 e 2011 no âmbito deste projecto) o que reforça a escolha para aqui se realizarem trabalhos arqueológicos.


Aqui destaca-se um montículo artificial de terra disposto numa elevação entre dois barrancos, com declive mais acentuado a Norte, e apresenta alguns elementos pétreos dispersos e material cerâmico numa área superior a 300m2. Na abundante presença de material cerâmico que o contextualiza na Idade do Ferro salienta-se um conjunto de fragmentos com decoração que os situa entre os séculos VII e V a.C. e com paralelos mais próximos em Fernão Vaz (Ourique). Com o apoio logístico da Câmara Municipal de Almodôvar e com a colaboração da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, os trabalhos dirigidos pelos arqueólogos Samuel Melro e Pedro Barros irão decorrer até ao final de Julho. Na mesma altura decorrem os trabalhos no povoado das Mesas do Castelinho sob coordenação dos Profs. Dr. Carlos Fabião e Amílcar Guerra (UNIARQ).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mesas do Castelinho em Conferência 10 de Maio no Museu do Carmo

Conferência de Susana Estrela 
|10 de Maio - 18.00h. | 
Associação dos Arqueólogos Portugueses - Museu do Carmo

MESAS DO CASTELINHO (ALMODÔVAR)
UMA ALDEIA AMURALHADA NA PAISAGEM DA IDADE DO FERRO DO BAIXO ALENTEJO


Em finais do século V a.C. é fundado, numa paisagem marcadamente interior e de fronteira, o povoado de Mesas do Castelinho (Almodôvar, Baixo Alentejo). Delimitado por segmentos justapostos de muralhas, o local vem, aparentemente, romper com as antigas formas de povoamento conhecidas para a região baixo-alentejana.

Os dados saídos ao longo de mais de duas dezenas de anos de um projecto de investigação e analisados no âmbito de um trabalho académico de mestrado vêm demonstrar a existência de um aglomerado rural que pode ser interpretado como uma aldeia, com um desenho urbano que se define, mais do que apenas pelas suas muralhas, pelos espaços interiores que reflectem as actividades proporcionadas pela paisagem envolvente: exploração pecuária, agricultura, caça.

Esta ruralidade está patente no acervo material, com consideráveis quantidades de cerâmica produzida local ou regionalmente e, com muito menor expressão, através da presença de artigos importados desde paragens litorais.

No primeiro lote incluem-se os recipientes manuais com decorações incisas, que caracterizam o tradicional e conservador conjunto material da Idade do Ferro da região. Dele fazem parte, porém, os inovadores recipientes com matrizes impressas, uma das marcas definidoras da designada II Idade do Ferro.

A estes materiais cerâmicos associam-se artigos de origem mediterrânea, como a cerâmica ática, as contas de vidro, a cerâmica de “tipo Kouass”, as ânforas produzidas na baía gaditana, a cerâmica pintada em bandas, entre outros. 


O sítio, dissimulado na paisagem e implantado numa área com fracas aptidões naturais, na fronteira entre a serra do Caldeirão e a peneplanície alentejana, localizado junto a uma rota de pessoas e bens, revelará a sua importância na partilha dos artigos produzidos local ou regionalmente e, neste particular, das cerâmicas com matrizes impressas. Sempre muito diminutos no registo arqueológico de Mesas do Castelinho, os artigos importados demonstram a ausência de rupturas nos circuitos da sua distribuição pelo interior.

Estes sinais de continuidade prolongam-se até ao século II a.C., quando o registo material revela dos mais precoces contactos com o mundo romano conhecidos até ao momento para a região, com uma população que mantém as suas vivências intrinsecamente rurais, num povoado que já não utiliza a fortificação como perímetro e que constrói novos espaços habitacionais e de trabalho sobre as suas muralhas.
 Susana Estrela

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Visita da Universidade de Marburg a Almodôvar

As exposições do Museu da Escrita do Sudoeste (MESA) e o sítio arqueológico das Mesas do Castelinho em Almodôvar foram visitados pelos estudantes da Universidade de Marburg (Alemanha) no passado dia 23 de Março.


No âmbito de uma excursão de dez dias ao Sudoeste Peninsular, entre Torres Vedras e Cádis (passando pelas áreas de Mafra, Lisboa, Setúbal, Évora, Moura, Aljustrel, Portimão, Sagres, Huelva, Carmona, Munigua, Sevilha e Cádis), mais de duas dezenas de estudantes do 1º ao 3º ciclo acompanhados pelo Professor Claus Dobiat, a Directora do Instituto Arqueológico Alemán de Madrid Dirce Marzoli e o seu colega Michael Kunst, vieram a Almodôvar.


No MESA visitaram a exposição permanente dedicada à escrita do Sudoeste (1º piso) e a exposição temporária: Vida e Morte na Idade do Ferro que resultou da primeira fase do Projecto ESTELA - Sistematização da Informação das Estelas com escrita do Sudoeste.


Visitaram ainda o sítio arqueológico das Mesas do Castelinho, guiados pelos Profs. Amílcar Guerra e Carlos Fabião que trabalham no local há mais de 20 anos.