quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Olhar 2012 e pensar 2013


Em 2012 o Projecto ESTELA continuou a divulgar os trabalhos do projecto e os resultados da investigação em torno da escrita do Sudoeste.


Em termos científicos, é de registar a participação no na reunião Sidereum Ana III com a reflexão dos contributos do Projecto ESTELA para o conhecimento da Idade do Ferro entre o Baixo Alentejo e o Algarve e no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular com os resultados obtidos na escavação da necrópole da Abóbada. Procurou-se ainda sistematizar a investigação em torno das primeiras identificações das estelas com escrita do Sudoeste, nomeadamente das estelas do Cenáculo (I e II), de Estácio da Veiga, em particular das provenientes da necrópole da Fonte Velha de Bensafrim e da estela do Monte da Portela.

O desenvolvimento da investigação durante 2012 só se tornou possível com o precioso apoioda Associação Arqueológica do Algarve no estudo dos restos humanos da necrópole da Abóbada e do espólio da necrópole do Monte da Atafona, bem como com a cooperação do Laboratório de Arqueociências da Direcção Geral do Património Cultural e da Câmara Municipal de Almodôvar na campanha de escavação arqueológica de 2012 no sítio da Portela da Arca (Almodôvar), alvo de uma reportagem diária e foi divulgado na imprensa. É ainda de se referir que a mensagem mais vista do ano passado foi relacionada com este trabalho arqueológico.

No âmbito da divulgação da escrita do Sudoeste e da Idade do Ferro no Baixo Alentejo e Algarve realizou-se uma visita guiada a estudantes da Universidade de Marburg, informou-se de uma conferência associada a este Projecto sobre as Mesas do Castelinho - este sítio e o projecto que se desenvolve desde 1989 foram ainda alvo de divulgação na edição portuguesa da National Geographic - e ainda anunciou-se o novo material promocional do Museu da Escrita do Sudoeste.

Em 2013, para além de continuarmos a concretizar o que temos programado para o projecto científico como é a sistematização da investigação, o contribuir para o conhecimento da Idade do Ferro em colaboração com as Autarquias de Almodôvar, Loulé e Faro e a continuação da campanha de escavação na Portela da Arca (Almodôvar). Estamos empenhados em dar corpo à visão social do projecto, ou seja, procurou-se conjugar a investigação científica com as orientações e o planeamento das ações de valorização, divulgação, educação e fruição das paisagens culturais. Ambicionamos contribuir para o fortalecimento de uma relação de identidade das pessoas com o seu património, criando as bases para que as estelas com escrita do Sudoeste, um dos maiores ícones da Idade do Ferro do Sul de Portugal, sejam uma imagem de marca da Serra do Algarve e Baixo Alentejo.

Uma nota final ainda para justificar a pouca regularidade na manutenção deste blog se dever ao facto deste ser desenvolvido em período paralelo à actvidade profissional dos seus colaboradores, e o tempo ser sempre insuficiente para dar a desejada resposta e dedicação que lhe gostaríamos de dar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular – contributo do Projecto ESTELA


Já aqui anteriormente noticiámos a participação do Projecto ESTELA no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular realizado em Villafranca de los Barros (Badajoz), entre os dias 4 e 6 de Outubro. Este contou com a apresentação da comunicação “A necrópole da Abóboda (Almodôvar): Trabalhos Arqueológicos 2010/ 2011” que contou com o seguinte Resumo:


A escavação arqueológica na necrópole da Idade do Ferro da Abóbada decorreu no âmbito do Projecto ESTELA. Tinha como objectivo a caracterização do local de proveniência da chamada “Estela do Guerreiro”, identificada em 1972 e assim apelidada por representar ao centro da inscrição com escrita do Sudoeste uma figura humana interpretada como um guerreiro.


O resultado dos trabalhos aí desenvolvidos entre 2010 e 2011 permitiram reunir um conjunto de Informação quanto à cronologia, tipo de estruturas funerárias e documentar os respetivos rituais funerários. Apesar da sua afectação pela lavra mecânica, foi possível registar a presença de dois monumentos funerários pétreos quadrangulares e de diversos covacho sem fossa simples com deposição secundária das cremações.

Os restos humanos apresentam-se completamente calcinados e a sua fragmentação é muito elevada. Foram depositados diretamente no solo sem recurso a urna e as evidências sugerem que a cremação se terá dado pouco tempo após a morte, com os tecidos moles ainda presentes


Estes trabalhos contaram com a colaboração dos alunos do Curso de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de David Gonçalves, Amílcar Guerra, Carlos Fabião (Universidade de Lisboa) e da Câmara Municipal de Almodôvar aos quais agradecemos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Novo material promocional do Museu da Escrita do Sudoeste

 

Foi divulgado o novo material promocional do Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar (canecas, porta-chaves, pins, lápis, réplicas da estela I da Abóbada e t-shirts) que pode ser adquirido na sua loja/recepção. Também foi apresentada a imagem gráfica do Museu e a nova indumentária para os seus funcionários.
 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Participação do Projecto ESTELA no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular

Terá lugar em Villafranca de los Barros (Badajoz), entre os dias 4 e 6 de Outubro, o VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, numa organização conjunta do Ayuntamiento Villafranca de los Barros, do Instituto de Arqueología de Mérida, do Gobierno de Extremadura, da Universidade de Huelva, do IGESPAR I.P. e da DRC Alentejo.

O Projecto Estela, em parceria com alguns dos seus colaboradores, irá apresentar a seguinte comunicação: “A necrópole da Abóboda (Almodôvar)” da autoria de Samuel Melro, Pedro Barros e David Gonçalves.

Mais informação sobre o VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular disponível aqui.

SIDEREUM ANA III – contributo do Projecto ESTELA

 
aqui anteriormente noticiámos a participação do Projecto ESTELA na reunião científica do Sidereum Ana III realizado em Mérida entre os dias 19 e 21 de Setembro. Esta contou com a apresentação de uma comunicação da qual se junta o Resumo:

Contributos para a Idade do Ferro entre o Baixo Alentejo e o Algarve: o Projecto ESTELA
 
Desde 2008 que o Projecto ESTELA procede à sistematização da informação das estelas com escrita do Sudoeste através da caracterização dos contextos arqueológicos. Procura-se equilibrar o percurso da investigação até aqui essencialmente centrada nos monumentos e na escrita, coligindo-se dados para a revisão dos conhecimentos sobre a sociedade que produziu esses monumentos e contribuindo para se compreender as directas relações entre espaço habitacional, o mundo funerário e as inscrições.

A importância dessa problemática reside no facto da escrita do Sudoeste ter sido um dos principais suportes de um dos primeiros modelos explicativos do I milénio a.C., no qual as estelas epigrafadas coroavam a expressão de um eloquente mundo funerário da designada I Idade do Ferro de cariz mediterrânico e que, contrastaria com uma chamada II Idade do Ferro de influência celtizante na qual a epigrafia desaparece.

Os trabalhos desenvolvidos referem-se a prospeções que tiveram lugar nos concelhos de Almodôvar e Loulé. Estas permitiram realizar uma análise espacial onde se identificam uma série de eixos de ocupação ao longo do I milénio a.C., entre a planície e a serra, localizados sobretudo pelos vales dos cursos de água que irradiam da Serra do Caldeirão e em menor percentagem nas zonas de cumeada (planaltos).

A distribuição interior desta epigrafia, estruturada nesse território de montanha, permanece assim como uma das questões chave, não apenas dada a diferença que oferece relativamente aos ambientes litorais de cronologia mais antiga, mas também pela sua ausência no novo mundo de necrópoles em torno de Beja.

Outra problemática refere-se à sua cronologia. No quadro de análise crítica do modelo acima referido, em grande parte resultante da revisão cronológica do espólio dos sítios do “Ferro de Ourique” intervencionados na década de 70 do século XX, para momentos mais tardios em torno dos séculos VI/ V a.C., em contraste com o enquadramento inicialmente proposto, também se reequaciona o enquadramento desta epigrafia. Contudo, os contextos das estelas não foram questionados, quando a maioria das epigrafes resulta de achados isolados, de associações de proximidade a necrópoles sem contexto ou reaproveitadas em contextos secundários. Outras, como as da Mealha-a-Nova, Pardieiro e Neves 2 levantam fortes reservas na sua atribuição directa a contextos primários. Desta forma, a escrita do Sudoeste apesar das dificuldades em precisar os seus limites cronológicos deve decorrer num curto intervalo de tempo – centrado entre os meados do século VII a.C. e os inícios do século VI a.C., cronologia corroborada pelo reaproveitamento de uma epígrafe na necrópole de Medellín numa estrutura tumular do último quartel do século VI a.C.. Problematiza-se assim sobre qual a razão para a sua reutilização nos empedrados tumulares das necrópoles, até que ponto as estelas mantêm a sua função funerária, ou teriam tido outro carga simbólica como a re-necropolização da paisagem ou a “legitimização” do mundo rural dito “pós-orientalizante”.

Para além do trabalho de prospecção desenvolvem-se algumas escavações localizadas em sítios que se consideram poder contribuir para o esclarecimento de algumas questões relacionadas com esta temática. O povoado da Portela da Arca remete para a presença de um conjunto habitacional enquadrado nos meados do I milénio e em clara associação à ocupação da zona, nomeadamente a necrópole de Mouriços (composta por dois monumentos, um circular sobreposto por outro retangular, e de onde provêm duas pontas e dois contos de lança em ferro, tal como os fragmentos de uma faca com rebites) enquadrado no século VI/ V a.C..

Outra das intervenções realizou-se na necrópole da Idade do Ferro da Abóbada, com o objectivo de caracterizar o local de proveniência das suas estelas, sobretudo da estela apelidada do “guerreiro”. Conforme já era referido pelos seus descobridores Manuela Alves Dias e Luís Coelho, podemos ainda hoje observar duas estruturas tumulares e locais de cremações. No entanto o conhecimento que se obteve com a intervenção permite entender melhor este sítio. Numa disposição gregária, as duas estruturas, erguidas sobre uma prévia preparação do solo, revelam empedrados quadrangulares com um covacho/ sepultura escavado na base do afloramento rochoso e possivelmente seriam cobertas por um tumulus de pedra e terra. Foram ainda identificados alguns conjuntos de restos osteológicos cremados de origem humana em deposição secundária, que contam com duas formas de enterramento: cinco sepulturas escavadas diretamente no solo sem vestígios de ter havido recurso a qualquer contentor e uma outra, também em fossa simples, mas com recurso a uma urna e de onde provinha a referida estela I da Abóbada. Estas sepulturas revelam dados sobre o ritual funerário, nestes casos os indivíduos – muito provalvelmente, logo após a sua morte - eram cremados num local diferente de onde eram depositados e que a recolha de ossos calcinados da pira não considerava a totalidade do indivíduo, mostram ainda que os ossos foram sujeitos a uma intensidade de combustão elevada com o objetivo de atingir a cremação completa dos indivíduos todos adultos (um deles possivelmente masculino). O parco espólio encontrado, nomeadamente a urna e a ponta e o conto de lança remetem para uma cronologia entre os finais do século VI e os meados do século IV a.C..

Pretende-se assim apresentar o balanço e resultados do Projecto ESTELA, contribuir para o conhecimento das principais problemáticas em torno deste tema e fornecer mais dados para a explicação desta importante manifestação cultural.
 
Estes trabalhos contaram com a colaboração dos alunos do Curso de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de Susana Estrela, David Gonçalves, Amílcar Guerra, Carlos Fabião (Universidade de Lisboa), da Câmara Municipal de Almodôvar e Associação Arqueológica do Algarve aos quais agradecemos.
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Conferência do Projecto ESTELA no SIDEREUM ANA III


No âmbito da reunião científica do SIDEREUM ANA III, sob o tema “El río Guadiana y Tartessos”, organizada por Javier Jiménez Ávila do Instituto de Arqueología de Mérida, que vai ter lugar entre 19 e 21 de Setembro em Mérida, o Projecto ESTELA vai participar com uma conferência intitulada: “Contributos para a Idade do Ferro no Baixo Alentejo: o Projecto Estela”.

 
Esta terceira reunião continua o objectivo de “intensificar a investigação arqueológica sobre a Proto-História do vale do Guadiana e fomentar os contactos científicos entre os arqueólogos espanhóis e portugueses que desenvolvem a sua actividade ao longo deste rio”. A atenção desta edição é para os “momentos centrais da Idade do Ferro no Sudoeste” entre o Bronze Final e o período Post-Orientalizante.

Aqui também serão apresentados os resultados dos últimos e “espectulares achados das necrópoles da zona de Beja, de Mérida e os ligados ao mundo Fenício junto à foz do rio, para além de muitos outros estudos resultado da investigação sobre Tartessos e do Guadiana Sidérico”. Junto anexa-se o programa e a ficha de inscrição.
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Estela com escrita do Sudoeste do Tavilhão I, do Monte da Portela (Loulé)


O Projecto Estela colaborou com o Museu Municipal de Faro (Câmara Municipal de Faro) na divulgação online de uma das suas peças mais emblemáticas.

O texto refere-se à Estela com escrita do Sudoeste do Tavilhão I, do Monte da Portela (Loulé) encontrada por José Rosa Madeira, natural do Ameixial (Loulé) e dada a conhecer por José Leite de Vasconcelos, depois de a ver no Museu Municipal de Faro em 1933. Esta faz parte de um conjunto de 12 estelas com escrita do Sudoeste localizado numa área concentrada, nos limites dos concelhos de Loulé e de Almodôvar.
 
Tendo por base o artigo “As Estelas com escrita do Sudoeste do concelho de Loulé” que está previso sair no próximo número da Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé - Al-'Ulyã, apresenta-se esta peça de uma forma generalista e contribui-se para o esclarecimento da sua localização, trabalho resultante da investigação arqueológica empreendida pelo Projecto ESTELA naquele concelho algarvio.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Laboratório de Arqueociências coopera com o Projecto Estela


No âmbito do Projecto de Investigação Plurianual que se encontra a decorrer, o Projecto Estela: investigação em torno da escrita do Sudoeste, participou num concurso que tinha como objectivo “dar início a um novo programa de cooperação científica com a Comunidade Arqueológica Nacional” com “a realização de estudos específicos e prestação de serviços nas áreas da Arqueozoologia, Paleobotânica e Geoarqueologia”. Este concurso foi promovido pelo então Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR, IP), através da participação directa do seu Laboratório de Arqueociências.
A proposta entregue tem como objectivo contribuir para a resolução de questões sobre a natureza, composição e origem de alguns sedimentos identificados durante os trabalhos de escavação arqueológica e que se julgam fundamentais para a compreensão dos sítios, incidindo nas áreas disciplinares de Geoarqueologia e Paleobotânica.
Após avaliação, a candidatura do Projecto Estela foi uma das quatro selecionadas e já contou com uma primeira visita ao terreno de Ana Costa e Randi Danielsen.

 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Associação Arqueológica do Algarve apoia o Projecto Estela

A Associação Arqueológica do Algarve, com quem se tem colaborado, atribuiu uma bolsa de apoio ao Projecto ESTELA para a concretização de alguns dos seus objectivos, nomeadamente para o estudo das colecções arqueológicas depositadas nos museus, para o estudo laboratorial dos restos osteológicos humanos das cremações da necrópole da Abóboda, e para a conclusão dos trabalhos de prospecção arqueológica nos concelhos de Almodôvar e Loulé.
Os restos humanos da necrópole da Abóboda consistem em deposições secundárias sem recurso a urna, excepto num caso. Após a cremação, os ossos foram directamente sepultados no solo. Apesar da fragmentação elevada, estes ossos ainda encerram em si informações preciosas sobre as práticas funerárias das populações que habitaram a região durante a Idade do Ferro.  
A partir de uma análise dos restos humanos, pretende-se por isso determinar alguns aspectos relacionados com a cremação – a sua intensidade e extensão – e com o perfil biológico dos indivíduos - sexo e idade - que compõem a amostra. Desejavelmente, estes dados permitirão obter informação acerca da mentalidade e prática funerária dos habitantes locais. 
Adoptando uma escala de análise mais alargada, este trabalho contribuirá também para um olhar mais abrangente sobre o conjunto de populações que partilharam a mesma cronologia e a mesma geografia.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Reportagem da escavação da Portela da Arca


O jornal Sulinformação divulgou as escavações arqueológicas que decorreram durante o mês de Julho no sítio da Portela da Arca.


Este meio de imprensa reporta “toda a informação sobre o Algarve e Baixo Alentejo (e não só), num jornal criado em setembro de 2011 por um grupo de jornalistas profissionais”. Conta num dos seus objectivos “garantir o acesso livre dos seus leitores à informação” e tem, no seu estatuto editorial, “a divulgação do património histórico-cultural” como uma das suas convicções. O trabalho e a investigação jornalística foram feitos pela jornalista Elisabete Rodrigues.




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mesas do Castelinho na National Geographic



No número de Agosto da edição portuguesa da revista National Geographic é publicada uma breve síntese dos resultados obtidos com os trabalhos arqueológicos dirigidos por Carlos Fabião e Amílcar Guerra desde 1989 no sítio de Mesas do Castelinho – Almodôvar.

 

Em destaque são apresentadas infografias das duas grandes fases do povoado e algumas peças arqueológicas, nomeadamente uma cabeça humana de terracota encontrada num contexto secundário da Idade do Ferro e que sintetiza as iconografias mediterrânea (cabeça rapada e ausência de barba) e “céltica” (nariz pouco proeminente e olhos redondos e frontais). Actualmente, faz parte da exposição temporária Vida eMorte na Idade do Ferro, patente no Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar.